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domingo, 20 de agosto de 2017

Astrofísica: O eclipse solar e a beleza da escuridão

As cenas do espetáculo - Montagem de fotos mostra como se dá um evento do gênero (no caso, ocorrido em 2009) (Biju Boro/AFP)

Um eclipse solar que poderá ser visto de costa a costa do território americano leva milhões de pessoas a pegar estrada e lotar voos e hotéis



Quem esteve conectado nas últimas semanas – de olho nos sites de notícias, no Facebook, no WhatsApp – muito dificilmente ficou alheio às alusões variadas ao que seria “um dos maiores eventos deste século”. O frenesi se deve a um fenômeno que tomará os céus dos Estados Unidos entre este domingo (20) e a segunda-feira (21). Nesse período, ocorrerá um eclipse solar total – quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, deixando-o oculto – que poderá ser observado da costa leste à costa oeste americana, numa faixa de 100 quilômetros de largura. Com isso, por alguns minutos, cidades inteiras dos Estados Unidos ficarão sob um autêntico apagão, com a população com olhos voltados para cima. Os “turistas astronômicos” devem inundar estradas e voos na busca de locais para admirar o chamado Grande Eclipse Americano (não, não se trata de uma referência a Donald Trump), movimento que se justifica porque a última vez em que um eclipse solar total pôde ser observado nos Estados Unidos foi há 38 anos. No Brasil, o efeito será apenas parcial e visível nas regiões norte e nordeste do país. Para quem tiver o privilégio de assistir ao espetáculo, uma informação importante: sem filtros adequados, nunca se deve olhar diretamente em direção ao Sol.
Por Filipe Vilicic, Jennifer Ann Thomas (Veja)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Astrofísica: Metade dos nossos átomos veio de outras galáxias

(Reprodução | Guardian Wires/YouTube)

Simulação de computador resume os 13 bilhões de anos da Vila Láctea – e descobre que 50% de sua matéria foi sugada de explosões em galáxias próximas



O nascimento dos átomos que formam você foi muito mais divertido do que o seu: simulações de computador feitas na Northwestern University, nos EUA, revelam que metade de todo o material da Via Láctea (e, portanto, do seu corpo) não foi fabricado por aqui – mas forjado no núcleo de imensas estrelas de galáxias vizinhas, e então expelido para cá em explosões monumentais. A descoberta vai na contramão das teorias vigentes, que até então não consideravam esse troca-troca de material uma parte tão relevante da formação de aglomerados de estrelas. Funciona assim: galáxias de grande porte como a Via Láctea, com algo entre 100 mil e 180 mil anos-luz de diâmetro, são cercadas de satélites – às vezes chamados de galáxias-anãs. Eles são algomerados de estrelas menores que o nosso, mas de maneira alguma pequenos. A Grande Nuvem de Magalhães (LMC), por exemplo, tem 14 mil anos-luz de diâmetro. Sua irmã menor, a Pequena Nuvem de Magalhães, tem exatamente metade do tamanho e 7 bilhões de vezes a massa do Sol. Às vezes uma estrela de grande porte que “mora” em uma dessas pequenas galáxias chega ao final do seu ciclo de vida. E então ela explode. O fenômeno está muito além do que um ser humano pode imaginar: arremessa trilhões de toneladas de gás com tanta violência que esse material consegue escapar da atração gravitacional de seu aglomerado de origem e acaba “caindo” na galáxia mãe, muito maior. Por meio desse processo, todo ano a Via Láctea ganha o equivalente à massa de um Sol. Parece pouco – e realmente não é muita coisa na escala cósmica. Mas multiplique isso pelos 13 bilhões de anos que se passaram desde que tudo começou e a conta começa a fazer sentido.

“Os ventos galácticos contribuem com uma quantidade muito mais significativa de material do que pensávamos. Esse é um novo modelo de crescimento de galáxias, que nós não havíamos considerado antes”, declarou à imprensa Daniel Anglés-Alcázar, pesquisador responsável. “A ciência é muito útil na hora de encontrar nosso lugar no universo. Nós somos como visitantes ou imigrantes na galáxia que chamamos de nossa.” Para chegar a essa conclusão, é preciso usar supercomputadores capazes de calcular, de acordo com as leis da física, cada movimento da dança cósmica entre a Via Láctea e suas irmãs menores desde que elas se formaram – e então acelerar “o vídeo” o suficiente para assistir a uma versão resumida das trocas de gás. Afinal, ninguém tem 13 bilhões de anos para ficar na frente do computador. O processo completo está descrito no artigo científico, de acesso gratuito – e você pode ver um trecho abaixo. Por Bruno Vaiano (Superinteressante)

Astrofísica: Somos poeira de estrelas

A matéria-prima do ar, das rochas e da vida foi e continua sendo forjada pelas pressões gigantescas que existem no coração das maiores estrelas.



 O astrônomo americano Carl Sagan, provavelmente o maior divulgador científico de todos os tempos, costumava dizer que nós – humanos, seres vivos da Terra, o próprio planeta e todo o sistema solar – somos poeira das estrelas. Era o modo lírico dele de explicar nossas origens no Universo. Só surgimos porque outras estrelas morreram há bilhões de anos, espalhando pelo espaço matéria composta de elementos químicos que viriam a nos constituir tempos depois. Esse, na verdade, é o processo de vida e morte que permeia todo o Cosmo. As primeiras estrelas nasceram por volta de 100 milhões de anos depois do big-bang (que aconteceu há 13,7 bilhões de anos), em condições bastante diferentes das que formam novas estrelas hoje. Foi a morte delas, no entanto, em eventos violentos e espetaculares, que abriu caminho para a formação de sistemas solares como o nosso. Nos primórdios do Universo só havia no espaço os elementos químicos hidrogênio e hélio. Foi o calor gerado pela explosão dessas primeiras estrelas, mais ou menos 1 bilhão de anos depois, que ajudou a produzir e espalhar os elementos necessários à vida: carbono, nitrogênio e oxigênio, além de ferro, fósforo etc. Até o surgimento da Terra, no entanto, passou-se mais um bom tempo. Essas explosões espetaculares de estrelas são conhecidas como supernovas. Elas ocorrem, por exemplo, quando estrelas enormes, com massa superior a 8 vezes a do nosso Sol, consomem todo o combustível em seu interior e ficam incapazes de se sustentar. Sem o suporte, a matéria de seu exterior acaba despencando em direção ao núcleo, e a estrela sofre um colapso. Isso provoca um aumento de temperatura e pressão e ela explode, lançando estilhaços de carbono, oxigênio etc. Nesse momento, o brilho é tão forte que lembra mais o de um cometa – sem cauda, claro. Essas explosões acabam funcionando como os grandes motores das transformações cósmicas. O material jogado no espaço vai formar outras estrelas, outros planetas. Como diria o físico brasileiro Marcelo Gleiser, “do espaço viemos e para o espaço retornaremos”. A avó da terra Há uns 5 bilhões de anos, um astro com massa várias vezes a do nosso Sol explodiu. Ele deixou um cadáver imenso de gás e poeira, com cerca de 24 bilhões de quilômetros. Assim nasceu o nosso sistema solar. “A vida é apenas um vislumbre passageiro das maravilhas que existem no Universo.” Carl Sagan


Texto Giovana Girardi - (Superinteressante)

Descoberta: Adaga encontrada em tumba de faraó veio do espaço

Agora, cientistas tentam descobrir de que meteorito o ferro da adaga veio (Foto: Divulgação/Museu Egípcio do Cairo)

Pesquisadores encontraram traços de ferro proveniente de meteorito na arma enterrada com Tutancâmon


Pesquisadores concluíram que uma adaga encontrada no sarcófago do faraó Tutancâmon (1346-1327 a.C.) veio, literalmente, do espaço. Em uma análise para determinar a origem do ferro que compõe a arma, os cientistas descobriram que o material é proveniente de um meteorito. O estudo, feito em parceria pelo Museu Egípcio do Cairo e pelas universidades de Pisa e Politécnica de Milão, foi publicado na revista científica Meteoritics & Planetary Science. Os cientistas escreveram no artigo que a descoberta desta adaga feita com ferro de meteorito é um grande passo na elucidação do misterioso “ferro caído do céu”, relatado em diversos textos egípcios, hititas e mesopotâmicos. A principal hipótese dos cientistas é a de que os egípcios consideravam o “ferro caído do céu” divino e o utilizava para aplicações extremamente raras, como o enterro de um faraó. “Se já existia na época, o derretimento de ferro provavelmente produzia ferro de baixa qualidade para objetos reais e preciosos. Assim, esta descoberta também comprova que os egípcios já tinham sucesso trabalhando com ferro ainda no século 14 a.C.”, escrevem os pesquisadores. Na própria tumba de Tutancâmon, os cientistas encontraram outro objeto intrigante: um colar peitoral com um amuleto esverdeado em formato de escaravelho, construído com vidro de sílica do deserto. Como este material só existia de forma natural na região desértica da atual Líbia, os pesquisadores supõem que o vidro usado no amuleto tenha sido gerado pelo impacto de um meteorito ou de um cometa nas areias do deserto do Antigo Egito. De que és feita, ó adaga? A técnica usada pelos pesquisadores para a analisar a adaga não danificou o objeto. Eles realizaram uma forma de análise não invasiva, utilizando um espectrômetro de fluorescência de raios-X, que pode determinar a composição química dos materiais. De acordo com o estudo publicado, a lâmina da adaga encontrada na tumba de Tutancâmon contém cerca de 11% de níquel. Artefatos produzidos com minério de ferro terrestre apresentam índices de, no máximo, 4% de níquel. “O ferro de meteorito está claramente indicado pela presença de alta porcentagem de níquel”, disse Daniela Comelli, da Universidade Politécnica de Milão, em entrevista ao canal Discovery News. Além das taxas correspondentes de níquel, os pesquisadores encontraram na lâmina menores quantidades de carbono, cobalto, enxofre e fósforo, elementos comumente encontrados em meteoritos. Agora, os pesquisadores continuarão a analisar os outros objetos encontrados na tumba do faraó, que morreu jovem, aos dezenove anos, de causas desconhecidas. Em paralelo às análises, os pesquisadores estão comparando amostras de meteoritos ferrosos catalogados que tenham caído num raio de dois mil quilômetros ao redor do Mar Vermelho. *Com supervisão de Nathan Fernandes (Revista Galileu)

Análises recentes mostram que o material de que é feito um dos punhais encontrados junto da múmia do jovem faraó provém de um meteorito.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Astrofísica: Tática de defesa será testada em asteroide que passará pela Terra

O asteroide mede entre entre 10 e 30 metros, um pouco maior do que o asteroide que atingiu Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, deixando 400 feridos. No entanto, segundo os cientistas, o objeto se aproximará a uma distância segura do nosso planeta (Divulgação/iStock)

Uma rocha que voará a 'apenas' 6.800 quilômetros do nosso planeta, sem oferecer risco, será usada pela Nasa para testar detecção e rastreamento de ameaças



Desde que um cientista da Nasa declarou que a Terra não estaria preparada para barrar um asteroide “surpresa” que se aproximasse sem ser detectado, a preocupação do público vem crescendo em relação a uma potencial ameaça. Mas, para proteger nosso planeta, a agência espacial americana já está desenvolvendo um poderoso sistema de defesa planetária. E a passagem de uma rocha espacial a 6.800 quilômetros da Terra (perto, em termos cósmicos, mas não o suficiente para oferecer qualquer risco) será a chance perfeita para testar essas novas tecnologias. Segundo a Nasa, que anunciou o experimento neste fim de semana, a oportunidade colocará à prova os observatórios e cientistas responsáveis por detectar e rastrear asteroides potencialmente perigosos. “Cientistas sempre apreciaram saber quando um asteroide fará uma passagem próxima e segura pela Terra, porque eles podem fazer preparativos para coletar dados, caracterizar [o objeto] e aprender o máximo possível sobre ele”, disse Michael Kelley, cientista envolvido no programa e líder da campanha de observação do TC4, como foi batizado o asteroide que será objeto de estudo. “Desta vez, estamos adicionando outros esforços, usando este voo próximo para testar a rede mundial de detecção e rastreamento de asteroides, avaliando nossa capacidade de trabalhar juntos para encontrar uma potencial ameaça real.”

O TC4 tem entre 10 e 30 metros, um pouco maior do que o asteroide que atingiu Chelyabinsk, na Rússia, em 2013. Ainda assim, é relativamente pequeno, se for levado em conta que o asteroide responsável por extinguir os dinossauros tinha quase dez quilômetros. Os cientistas, no entanto, garantem que, assim como a maioria dos Near Earth Objects (NEOs, na sigla em inglês, traduzida como “Objetos Próximos à Terra”), o TC4 não oferece nenhum risco de colisão catastrófica com o nosso planeta. Ele foi escolhido pela Nasa porque, desde que foi descoberto em 2012, está fora do alcance dos telescópios. Quando ele se aproximar da Terra, os cientistas esperam utilizar grandes telescópios para rastreá-lo e restabelecer sua trajetória precisa, assim como definir sua órbita, determinando exatamente a que distância que ele passará do nosso planeta. “Este é o alvo perfeito para esse exercício, porque conhecemos a órbita do TC4 suficientemente bem para ter certeza absoluta de que não impactará a Terra, mas ainda não estabelecemos sua trajetória exata”, afirmou Paul Chodas, diretor do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS, na sigla em inglês). “Compete aos observatórios obter uma correção [na trajetória já conhecida] do asteroide à medida que se aproxima e trabalhar em conjunto para obter observações de acompanhamento para fazer determinações de órbita de asteroides mais refinadas.”

Astrofísica: EUA terá eclipse solar total em agosto – no Brasil, será parcial

Um eclipse solar total é visto a partir da cidade de Ternate, na Indonésia, nesta quarta-feira (09) (Beawiharta/Reuters)

Fenômeno será visível em alguns estados do Norte e do Nordeste do Brasil. Já nos EUA, ele poderá ser observado em todo o país


Com a chegada de agosto, um novo espetáculo celeste se aproxima: um eclipse solar que escurecerá os céus no próximo dia 21. Nos Estados Unidos, ele será total (quando a Lua cobre completamente o Sol). Aqui no Brasil, porém, ele será parcial e apenas uma parte do Sol ficará encoberta, formando, em algumas localidades, uma meia-lua luminosa. Além disso, o fenômeno só poderá ser visto em estados brasileiros do Norte, Nordeste e algumas partes do Centro-Oeste e Sudeste. Segundo o astrônomo Daniel Mello, do Observatório do Valongo, que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o eclipse não poderá ser observado em São Paulo e Rio de Janeiro e também na região Sul. “As melhores capitais para observação serão Bela Vista, em Roraima, e Macapá, no Amapá, onde o eclipse terá duração aproximada de duas horas e a Lua irá encobrir aproximadamente 40% do Sol”, afirma. “Em Bela Vista, o eclipse começará às 14h56 e, em Macapá, às 16h09 [horário local].” Segundo ele, quanto mais ao sul do país, menor será a fração do astro encoberta pela Lua. “Em Goiânia, por exemplo, o eclipse será muito tênue. O Sol ficará apenas 1% encoberto e o fenômeno terá duração de 27 minutos.”

Já nos Estados Unidos, o eclipse solar total (com o Sol 100% encoberto pela Lua) poderá ser observado apenas nos estados de Oregon, Wyioming, Idaho, Nebraska, Missouri, Kentucki, Tenessee, Georgia, Carolina do Sul, Kansas, Illinois e Carolina do Norte. “Nos estados de Missouri, Kentucky, Tenessee e Illinois, o fenômeno deve ter quase três horas de duração, embora o instante máximo de eclipse total seja muito curto, na faixa de dois minutos”. No resto do território americano, será possível assistir a um eclipse parcial, mas com maior duração do que no Brasil.

Eclipse total - De acordo com Mello, eclipse solares não são fenômenos tão raros quanto parecem ser. Eles ocorrem de tempos em tempos, quando a Lua, em sua órbita em torno da Terra, passa exatamente na frente do Sol, ocultando-o, parcial ou completamente, e gerando sombra em locais específicos da Terra. “Neste ano, já tivemos um eclipse solar total na Argentina, Chile e países da costa africana. Teremos outro na Argentina e no Chile em 2 de julho de 2019.” No Brasil, só teremos a oportunidade de assistir a um eclipse total do Sol em 12 de agosto de 2045. O diferencial do espetáculo celeste que ocorrerá no próximo dia 21, para os americanos, é que o fenômeno será observável com pelo menos uma parte do Sol encoberta de costa a costa do país. O evento conquistou tanta popularidade que está sendo chamado pelos americanos de o “maior eclipse da história” e contará, inclusive, com uma transmissão ao vivo feita pela Nasa para todo o mundo. A fama não é à toa, pois esse tipo de fenômeno tem grande valor para os astrônomos. “Em um eclipse solar total, é possível observar uma região especial do Sol chamada coroa solar. Os astrônomos têm muito interesse em estudar essa camada para compreender melhor o mecanismo de geração de partículas elétricas do Sol”, explica Mello. “Estas partículas chegam até a Terra e podem afetar satélites artificiais, estações e naves espaciais, além de interagir com o campo magnético do planeta e poder causar danos em torres de transmissão de energia elétrica.” Mesmo para o resto da população, o eclipse também tem sua relevância. “Para o cotidiano das pessoas, o fenômeno é importante tanto pela chance de contemplar um dos fenômenos astronômicos mais belos, quanto do ponto de vista cultural, possibilitando um melhor entendimento, interação e reflexão do homem frente aos aspectos naturais que o cerca”, diz o astrônomo.

Cuidados na observação - É importante lembrar, no entanto, que um eclipse não deve ser observado diretamente. “Nunca se deve olhar para o Sol sem proteção”, adverte Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “A intensa radiação solar pode danificar a visão em instantes. Por isso, é preciso utilizar proteção adequada, como filtros astronômicos ou vidros como os usados em máscaras de solda.” O especialista também alerta que não se deve utilizar óculos, binóculos ou telescópios, instrumentos que concentram os raios solares e podem causar graves danos à visão. Para quem for observar o fenômeno aqui no Brasil, o equipamento mais adequado é um filtro astronômico feito com um polímero que permite a passagem de uma fração minúscula da luz. Esse equipamento, no entanto, não é vendido aqui no Brasil e precisa ser encomendado. Por isso, o astrônomo sugere utilizar um vidro de máscara de solda com tonalidade 14, que é facilmente encontrado em lojas de material de construção.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ciência e vida: Humanidade esgota recursos que a Terra é capaz de renovar

Segundo dados levantados pela Global Footprint Network, seria necessário 1,7 planeta para suprir nosso consumo anual de recursos naturais (NASA/VEJA)

Segundo duas ONGs internacionais, estaremos usando as reservas de recursos naturais disponíveis, sem reposição, até 31 de dezembro


A humanidade consumiu, nesta quarta-feira, o total dos recursos naturais que a Terra pode renovar em um ano. Co isso, viverá “de crédito” dos recursos armazenados até 31 de dezembro, calcula a ONG Global Footprint Network. Segundo a organização, que emitiu um comunicado em conjunto com a World Wildlife Fund (WWF, na sigla em inglês), esse momento, conhecido como “Dia de Sobrecarga da Terra”, chega mais cedo a cada ano. “A partir dessa data, a humanidade terá consumido o conjunto dos recursos que o planeta pode renovar em um ano”, escreveram as ONGs no comunicado. “O custo deste consumo excessivo já é visível: escassez de água, desertificação, erosão dos solos, queda da produtividade agrícola e das reservas de peixes, desmatamento, desaparecimento de espécies. Viver de crédito só pode ser algo provisório porque a natureza não conta com uma jazida para nos prover indefinidamente.”

Segundo as organizações, para satisfazer nossas necessidades atuais, a humanidade deveria contar com o equivalente a 1,7 planeta. Embora o ritmo de progressão tenha reduzido um pouco nos últimos seis anos, esta data simbólica “continua avançando de maneira inexorável: este dia passou do final de setembro em 1997 a 2 de agosto neste ano”, destacam as ONGs. Para seus cálculos, a Global Footprint leva em conta em particular a pegada de carbono, os recursos consumidos pela pesca, a pecuária, os cultivos, a construção e a utilização de água. As emissões de gases de efeito estufa “representam apenas 60% da nossa pegada ecológica mundial”, afirma. Segundo as duas organizações, “sinais animadores” indicam, no entanto, que “é possível inverter esta tendência”. Apesar do crescimento da economia mundial, “as emissões de CO2 vinculadas à energia não aumentaram em 2016, pelo terceiro ano consecutivo”, ressaltam. “Isto pode ser explicado pelo grande desenvolvimento das energias renováveis para produzir eletricidade”. A comunidade internacional se comprometeu na Conferência de Paris sobre o clima (COP21), em dezembro de 2015, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de limitar o aquecimento global. Levando em conta os dados científicos mais recentes, a Global Footprint recalcula a cada ano a data do “Dia de Sobrecarga” para os anos passados, desde que este “déficit ecológico” começou a se aprofundar, no início dos anos 1970. (Com AFP)
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